Por que os produtos naturais fazem menos espuma?

Muita gente está acostumada a usar cosméticos convencionais e, ao fazer a transição para produtos naturais, espera desses o mesmo “comportamento”. Por exemplo, se o shampoo não fizer espuma, você ficaria desconfiada sobre seu poder de limpeza?

 

A verdade é que nos cosméticos convencionais uma grande combinação de químicas é usada para que se obtenha um cabelo limpo, perfumado, hidratado, brilhante e sem frizz. O que não contam pra gente é que essas substâncias são responsáveis por muito mais do que só madeixas bonitas.

 

A limpeza eficaz e aquela sensação da espuma, é resultado de poderosos surfactantes. Esses surfactantes (ou tensoativos) são substâncias utilizadas para limpeza em geral, pois conseguem “envolver” a sujeira e retirá-la junto com a água, através de um processo chamado emulsificação.

 

Os surfactantes são os principais ingredientes de formulações de produtos de limpeza e higiene pessoal e são eles que fazem a espuma nas fórmulas. Justamente por estarem presentes em quase tudo o que usamos, diariamente são liberadas no meio ambiente consideráveis quantidades de surfactante, causando sérios problemas de poluição. Esses surfactantes, geralmente derivados de petróleo, são causadores da espuma nos rios, afetam as propriedades físico-químicas e biológicas dos solos, e podem permanecer no na natureza durante um longo período sem se decompor completamente. 

 

 

Os principais surfactantes sintéticos encontrados nos rótulos são:

 

Sodium Lauryl Sulfate (Lauril Sulfato de Sódio)

Sodium Laureth Sulfate (Lauriléter Sulfato de Sódio)

Ammonium Lauryl Sulfate (Lauril Sulfato de Amônio)

Ammonium Laureth Sulfate (Lauriléter Sulfato de Amônio)

 

Na saúde, dependendo da concentração, os tensoativos podem desencadear reações alérgicas nos olhos e na pele. De acordo com o EWG, organização especializada em estudar substâncias químicas tóxicas desde 1993, ao mesmo tempo em que limpam, essas substâncias podem promover descamação no couro cabeludo e coceira. O Sodium Laureth Sulfate e o Ammonium Laureth Sulfate, por exemplo, podem ser contaminados por dioxano e óxido de etileno, ambos cancerígenos e tóxicos.

 

Mas sim, existem alternativas!

 

Na maioria das vezes, quando uma pessoa que usa uma enxurrada de cosméticos convencionais troca abruptamente para cosméticos capilares orgânicos/naturais, o choque é grande e a rejeição pode ser também: muitas pessoas não se adaptam às texturas, ao cheiro fraco, etc. Por não conterem surfactantes sintéticos, para alguns tipos de cabelo o shampoo natural pode parecer que não limpa tão bem, não é raro acontecer.

 

É preciso ter paciência, esperar a fase de transição e o tempo de adaptação do couro cabeludo, lavar o cabelo com mais consciência, entre outros cuidados e alternativas. Além disso, na maioria das vezes o cabelo está tão impermeabilizado por anos e anos de derivados de petróleo e silicones que os ativos do cosmético natural não conseguem penetrar no fio e nem retirar tudo que ficou acumulado.

 

Os cosméticos naturais tratam o fio, combinando ativos vegetais potentes para restaurá-lo de fato, mas isso não acontece da noite para o dia e é preciso que o cabelo esteja minimamente  “desintoxicado”, livre de substâncias químicas que possam blindar o fio, como os derivados de petróleo e os silicones.

 

É comum associar a quantidade de espuma com a qualidade da limpeza, mas nem sempre o produto que apresenta mais espuma é o mais eficiente. Como alternativa natural aos surfactantes, nós utilizamos o lauril poliglicosídeo, um tensoativo de origem vegetal, biodegradável e com alto poder de limpeza, que não agride a sua saúde e nem o meio ambiente 😉

 

Por: Camila Grinsztejn